terremoto de gênero: as mulheres socialistas e a comuna de paris (I)

Texto originalmente publicado na revista International Socialism. Tradução de Giovanna Marcelino.

Judy Cox

Em 11 de abril de 1871, três semanas após o início da Comuna de Paris, apareceu um pôster nos muros da capital da França:

“Cidadãs, sabemos que a ordem social atual traz em si as sementes da pobreza e da morte de toda a liberdade e justiça… Neste momento, quando o perigo é iminente e o inimigo está às portas de Paris, toda a população deve se unir para proteger a Comuna, que defende a aniquilação de todos os privilégios e de todas as desigualdades”.[1]

Todas as mulheres que estavam preparadas para morrer em nome da Comuna foram convocadas a comparecer a uma reunião às 20h na Salle Larched, Grand Café des Nations, Rue de Temple, 74. Lavadeiras, costureiras, encadernadoras e modistas compareceram e ali estabeleceram uma nova organização, a União das Mulheres. Esta União fazia parte da Primeira Internacional socialista, estabelecida por Karl Marx e outros socialistas e sindicalistas em Londres, em 1864, com o objetivo de unir os trabalhadores para além das fronteiras nacionais. Em poucos dias, a União tornou-se uma das organizações mais importantes da Comuna de Paris. As mulheres socialistas desempenharam um papel indispensável na organização das trabalhadoras de Paris para se tornarem communards.

A Comuna durou apenas 72 dias, mas nesse curto período de tempo desafiou hierarquias de gênero que estiveram profundamente enraizadas por séculos.[2] O papel desempenhado pelas mulheres na Comuna de Paris atraiu a atenção tanto de contemporâneos quanto de historiadores. Imagens de mulheres rebeldes povoaram os relatos contemporâneos da Comuna.[3] Os estudos históricos da Comuna tenderam a aceitar e até amplificar uma série de estereótipos negativos que caracterizavam as mulheres trabalhadoras como excitáveis, irracionais e normalmente violentas. Elas são vistas apartadas de qualquer tradição feminista ou socialista duradoura. As histórias que tratam as mulheres de forma mais objetificada tendem a restringir as discussões de suas atividades a capítulos específicos, reforçando a ideia de que os homens tinham agência histórica, mas as mulheres tiveram uma participação marginal nos eventos.[4] Imagine ler uma história da Comuna com um capítulo intitulado “Homens na Comuna”. As mulheres communards foram o foco exclusivo de apenas três estudos de fôlego, publicados em 1964, 1996 e 2004.[5] Este artigo não pretende recontar as histórias das mulheres communards, por mais fascinantes que sejam. O objetivo é explorar o impacto das mulheres socialistas na Comuna e na tradição socialista mais ampla.

As antecessoras da Comuna

Grande parte dos estudos sobre a Comuna começa em 18 de março com a tentativa fracassada de Adolphe Thiers, chefe do governo francês, de desarmar a Guarda Nacional parisiense.[6] A França havia sofrido uma derrota militar na guerra com a Prússia, após o longo e amargo cerco de Paris. O governo francês concordou em se render, mas a população de Paris e a Guarda Nacional resistiram. Quando as tropas do governo foram enviadas para tomar os canhões de Paris, milhares de mulheres, homens e crianças se levantaram para defendê-los, construíram barricadas e expulsaram o exército francês da cidade. A ênfase neste momento revolucionário cria a impressão de que a Comuna foi um evento puramente espontâneo. A Comuna nasceu de fato dessa rebelião espontânea, mas foi moldada e impulsionada por indivíduos e organizações imersas na experiência dos movimentos trabalhistas e socialistas.[7] O papel das mulheres socialistas na preparação do caminho para a Comuna foi quase completamente esquecido pelos historiadores, mesmo que a Comuna dependesse das mulheres, que estavam no centro das redes da classe trabalhadora de Paris. Membros masculinos e femininos da Internacional se estabeleceram liderando greves na década de 1860. Eugène Varlin e Nathalie Lemel lideraram uma grande greve de encadernadores em 1864. Lemel desafiou as convenções para se tornar membro do comitê de greve e lutou incansavelmente por salários iguais para as mulheres. Tanto Varlin quanto Lemel tornaram-se líderes das communards.

Duas tradições opostas relacionadas às mulheres coexistiram de maneira tensa dentro do movimento socialista francês. Uma delas remetia ao socialismo utópico da década de 1830, quando Flora Tristan se tornou a primeira reformadora a argumentar que as mulheres só poderiam conquistar a igualdade por meio da emancipação da classe trabalhadora.[8] Essa tradição foi desenvolvida na Revolução de 1848 pelas grandes líderes socialistas Jeanne Deroin e Pauline Roland, que organizaram as mulheres para lutar pelo direito ao trabalho e ao voto.

Uma tradição muito diferente foi representada pelo escritor misógino anarquista-socialista Pierre-Joseph Proudhon. Proudhon argumentou que as mulheres eram fisicamente fracas, incapazes de pensamentos abstratos e naturalmente imorais, aptas apenas para o casamento ou a prostituição.[9] Na sua última obra, Pornocracia: as mulheres nos tempos modernos, Proudhon argumentou que os maridos tinham o direito de matar as esposas adúlteras, imorais, bêbadas, ladras, esbanjadoras ou obstinadamente insubordinadas.[10] Mais tarde, Jules Michelet popularizou essas visões misóginas em seus acessíveis romances Amor (1858) e Mulheres (1859). Michelet culpou as mulheres pelo fracasso das revoluções de 1789 e 1848 e as considerou prisioneiras de sua própria biologia, o que as teria tornado pouco confiáveis, caprichosas e impróprias para trabalhar fora de casa.[11] Proudhon e Michelet foram muito influentes na seção francesa da Internacional. Na reunião inaugural da seção francesa, em 1866, os delegados aprovaram uma moção que afirmava: “Do ponto de vista físico, moral e social, o trabalho feminino fora de casa deve ser energicamente condenado como causa da degeneração da raça e como um dos agentes de desmoralização usada pela classe capitalista”.[12] Houve vozes opositoras, incluindo as dos futuros communards Varlin e Benoît Malon, mas a seção francesa da Internacional permaneceu profundamente proudhonista.

Mulheres ativistas lutaram contra as ideias sexistas de Proudhon e Michelet. Uma das combatentes foi André Léo. Léo morou na Suíça com seu marido, um socialista utópico que se inspirou nas ideias de Henri de Saint-Simon e foi forçado ao exílio depois de 1848. Léo ficou viúva e, para sobreviver, publicou vários romances explorando a opressão das mulheres e afirmando as habilidades das mulheres. Em 1866, ela sediou a reunião inaugural de um novo grupo feminista em sua casa. O grupo incluía Paule Mink, Louise Michel, Eliska Vincent, Noémi Reclus e seu marido, Élie Reclus, todos futuros communards.[13] O grupo estabeleceu a melhoria da educação de meninas como prioridade de sua campanha.

Mink e Michel eram duas das mulheres mais importantes da Comuna. Ambas pertenciam à tradição socialista revolucionária de Deroin e Roland.[14] Mink era filha de um nobre polonês exilado. Quando seu casamento acabou, ela passou a trabalhar como costureira e professora de línguas. Ela também editou um jornal radical e construiu sua reputação como oradora nos círculos radicais de Paris. Em uma reunião pública em 1868, Mink desafiou Proudhon: “Ao deixar de fazer da mulher uma trabalhadora, você a priva de sua liberdade e, portanto, de sua responsabilidade, para que ela não seja mais uma criatura livre e inteligente, mas apenas um reflexo, uma pequena parte de seu marido”.[15] Michel era filha de um criado solteiro. Ela se formou professora, mas se recusou a lecionar em escolas públicas porque isso significaria fazer um juramento de lealdade ao Império Francês. Michel foi a Paris para promover sua educação e a revolução. Ela foi uma das mulheres mais corajosas, determinadas e audaciosas da tradição revolucionária.

Alguns membros masculinos da Internacional apoiaram as mulheres contra o proudhonismo. Em 1866, Malon escreveu a Léo, como membro da Internacional, assegurando-lhe que ele não estava “esquecendo-se da emancipação das mulheres e a cada dia recebendo novos apoios. Convencemos quase toda a associação da ideia; apenas os pontífices de Proudhon não se convenceram”.[16] A primeira edição do jornal da seção Batignolles-Ternes da International parisiense incluía um programa, assinado por Léo e outros 16, que declarava: “É hora das mulheres participarem da democracia em vez de torná-las suas inimigas por uma exclusão sem sentido”.[17] No ano seguinte, Varlin argumentou:

“Aqueles que desejam recusar às mulheres o direito ao trabalho querem mantê-las permanentemente dependentes dos homens. Ninguém tem o direito de recusar a elas o único meio de ser verdadeiramente livre. Quer seja feito por homens ou mulheres, deve haver salário igual para trabalho igual”.[18]

Léo, Mink e Varlin agitaram de forma consistente para que a Internacional apoiasse tanto os direitos civis das mulheres quanto o direito das mulheres ao trabalho.

Ao longo da década de 1860, as mulheres ingressaram nos clubes políticos que atraíam grandes públicos nos bairros mais pobres de Paris, ao menos aqueles que discutiam como fazer campanha contra os baixos salários das mulheres.[19] Os clubes políticos também incubaram o desejo de “estabelecer uma comuna baseada na cooperação de todas as energias e inteligências ao invés de um governo composto de traidores e incompetentes”.[20] No início de 1869, o clamor  por uma comuna podiam ser ouvidas em muitos clubes, e as ações muitas vezes encerradas com o grito “Viva la Commune”. Quando a Comuna se tornou realidade dois anos depois, os clubes continuaram a oferecer um espaço de debate e organização e se tornaram um elo vivo entre o Comitê Central e o povo. Os clubes debatiam quais ações a Comuna deveria tomar e divulgavam seus pontos de vista e prioridades ao Comitê Central. Por meio dos clubes, as mulheres podiam organizar ações diretas contra os especuladores e pedir apoio para as reformas que desejavam. Muitas mulheres parisienses mantinham relações com membros da Guarda Nacional, mas poucas passaram por uma cerimônia de casamento. Apenas mulheres casadas podiam reivindicar o subsídio de esposas da Comuna, uma política discriminatória que gerou muita raiva. A exigência de subsídios para parceiras não casadas de guardas nacionais teve origem nos clubes e foi posteriormente concedida pela Comuna.[21]

Alguns clubes eram mistos, alguns segregados, e ambos forneciam uma plataforma para o surgimento de líderes femininas. Um repórter inglês do Daily News descreveu um clube onde “mulheres vestidas de forma respeitosa com suas filhas crescidas, esposas de pequenos lojistas com suas famílias jovens” se misturavam com “aquelas mulheres repulsivas de quase todas as idades que formam os furores típicos da animada multidão parisiense”.[22] Os repórteres ficaram horrorizados ao ouvir mulheres defendendo não apenas o fim do casamento, mas também a igualdade entre os sexos.[23] Michel presidiu o Clube da Revolução, que votou pela prisão de todos os padres aliados aos “cães monarquistas” e pela criação de corporações de mulheres e homens para realizar obras públicas necessárias.[24] No Clube dos Pensadores Livres, Nathalie Lemel e Lodoyska Kawecka, que vestiam calças e dois revólveres pendurados na cintura, defendiam o divórcio e a libertação das mulheres. No Clube dos Proletários, uma lavadeira, conhecida apenas como Madame Andre, era a secretária. Uma oradora regular era a cidadã Thiourt, que exigia que os canhões fossem colocados nas praças abastadas de Paris e que as mulheres tivessem o direito de portar armas.[25] Léo, Michel e Lemel percorreram os clubes argumentando que a exploração capitalista deveria ser abolida.[26]

Antes da tempestade: mulheres sitiadas

O ano de 1870 começou com uma grande revolta política em Paris. O primo do imperador Luís Bonaparte, Pierre, assassinou um jornalista republicano, Victor Noir. O assassinato gerou indignação e muitas mulheres se juntaram às 100.000 pessoas que marcharam por Paris em protesto. Uma onda de repressão foi desencadeada contra membros da Internacional. No verão, o imperador declarou guerra à Prússia, mas em poucas semanas as forças francesas foram derrotadas. Em 4 de setembro de 1870, a notícia da derrota chegou a Paris. Milhares foram às ruas, o Segundo Império foi derrubado e um Governo de Defesa Nacional foi estabelecido. O novo governo, porém, recusou-se a representar os interesses daqueles que os instalaram no cargo. As tentativas do governo de se render ao exército prussiano provocaram semanas de agitação liderada pelos trabalhadores parisienses e pela Guarda Nacional, cujos membros eram oriundos da classe trabalhadora.

Em 18 de setembro de 1870, muitas mulheres foram às ruas para exigir o direito de pegar em armas em defesa da cidade francesa de Estrasburgo, sitiada pelas tropas prussianas. Louise Michel e André Léo conduziram uma delegação de mulheres, estudantes e alunos em idade escolar ao Hotel de Ville, onde ficaram algumas horas presas.[27] Em 19 de setembro, as tropas prussianas sitiaram Paris. Cerca de 100.000 cidadãos ricos fugiram e 200.000 refugiados de cidades vizinhas entraram na cidade. Instituíram-se “comitês de vigilância”. Michel se recusou a reconhecer a natureza segregada dos comitês de vigilância e se juntou ao comitê dos homens. Posteriormente, ela descreveu como “ninguém se incomodava muito com o sexo daqueles que cumpriam seu dever. Aquele problema estúpido foi ultrapassado”.[28] A necessidade levou a uma erosão da discriminação de gênero.

O abastecimento de alimentos da cidade foi bloqueado e as mulheres protestaram contra as longas filas e a escassez catastrófica de comida. As mulheres precisavam de novas formas de organização e as mulheres socialistas estavam no centro de sua criação. Nathalie Lemel dirigia um restaurante cooperativo chamado La Marmite.[29] Ela era ativa em vários dos muitos grupos de ajuda mútua que a polícia mantinha sob vigilância porque eles tinham o potencial de se transformar em grupos de resistência.[30] La Marmite era baseada na solidariedade entre aquelas que trabalhavam no fornecimento, alimentação e produção, unidas por uma dose robusta de propaganda socialista.[31] Victorine Brochon, outra membra da International, dirigia uma padaria cooperativa em La Chapelle, que doava uma parte de seus fundos para novas cooperativas.[32] Muitas outras mulheres socialistas estiveram no centro dos esforços para alimentar o povo durante o cerco, esforços que as colocaram no centro das redes de ajuda mútua e da organização política.

Uma tentativa de insurreição em Paris no dia 22 de janeiro de 1871 exigiu que o governo fosse substituído por uma Comuna. Um grande número de mulheres e guardas nacionais aglomerou-se nas ruas de Paris. No entanto, o fracasso da insurreição levou a uma reação e, em 28 de janeiro, o governo francês se rendeu oficialmente à Alemanha.[33] Uma eleição geral realizada em 8 de fevereiro representou uma derrota acachapante para a esquerda, com proprietários de terras, aristocratas e oficiais do exército formando a maioria dos eleitos. A seção francesa da I Internacional tinha 50.000 membros na primavera de 1870, mas depois das eleições de fevereiro, os principais membros sentiram que estavam à beira do colapso, à medida que o apoio se esgotava.[34] No entanto, alguns lampejos da insurgência que estava por vir eram visíveis. Em 26 de fevereiro, um boato de que as tropas alemãs planejavam entrar em Paris para pegar o canhão da cidade trouxe uma enorme multidão de guardas nacionais, mulheres e crianças para defender o canhão que haviam pago com suas doações.[35] Durante todos os eventos turbulentos de 1870 e dos primeiros meses de 1871, as mulheres lideravam as multidões, incitando confrontos e criando as bases das organizações que criariam um governo operário.

A República Universal

O governo francês fugiu para a segurança de Versalhes, na orla ocidental de Paris. Em 18 de março, Thiers, que se rendeu à Alemanha como “chefe executivo” do governo, enviou tropas para desarmar a Guarda Nacional de Paris. Foram as leiteiras que deram o alarme. As mulheres de Paris se amutinaram entre as tropas do governo enquanto eles tentavam remover o canhão. Prosper Olivier Lissagaray, um socialista e historiador da Comuna, observou que “foram as mulheres as primeiras a agir”.[36] As mulheres formaram uma barricada humana entre os soldados do governo e a Guarda Nacional. Um adepto do governo, General Louis d’Aurelle de Paladines, descreveu o significado das ações das mulheres:

“As mulheres e crianças vieram e se misturaram com as tropas. Estávamos muito enganados em permitir que essas pessoas se aproximassem de nossos soldados, pois elas se misturavam a eles e as mulheres e crianças lhes diziam: “Vocês não atirarão contra o povo”. Foi assim que os soldados do 88º e de outro regimento de linha, pelo que pude ver, se viram cercados e não tiveram força para resistir às ovações que lhes foram dirigidas”.[37]

Quando o oficial encarregado, o general Claude Lecomte, ordenou que as tropas atirassem contra a multidão, eles se recusaram. Lecomte foi feito prisioneiro e depois baleado.

Antes de março de 1871, a Comuna existia apenas como uma aspiração política, um grito de guerra e um possível futuro diferente – mas com o fim do governo e o exército e a polícia expulsos, uma Comuna real e viva baseada no “poder anônimo de Monsieur Tout-le-monde (‘Sr. Todo-o-Mundo’)” foi estabelecido.[38] Uma grande sensação de liberdade fez um movimento de massa de homens, mulheres e crianças explodir nas ruas. Uma testemunha descreveu a atmosfera:

“Houve, em primeiro lugar, uma festa grandiosa, uma festa que o povo parisiense, a essência e o símbolo do povo francês e da humanidade em geral, criou para si e para a primavera. Festa de primavera na cidade, festa dos deserdados e proletários, festa revolucionária e festa da revolução”.[39]

A revolução transformou todas as interações: “A vida social da cidade foi recalibrada segundo princípios de cooperação e associação”.[40] Toda essa energia e compromisso foram rapidamente canalizados para o funcionamento dos serviços vitais da cidade.

As instituições estatais de Paris se desintegraram ou foram destruídas pelo governo em Versalhes. “Todo o aparelho respiratório e digestivo desta cidade de 1.600.000 habitantes colapsou”.[41] A crise foi tão profunda que os cemitérios pararam de enterrar os mortos e cerca de 300.000 ficaram sem trabalho.[42] O Conselho Geral da Guarda Nacional mobilizou-se para assumir a administração do estado até a realização das eleições. A todos os estrangeiros foram admitidos a cidadania, todos os funcionários do estado foram ou eliminados ou pagos por um salário de trabalhador e sujeitos a revogação imediata. Padres e freiras foram despachados para a vida privada. Os trabalhadores manuais e os de cargos subordinados assumiram as funções dos burocratas bem pagos e começaram a organizar os serviços públicos, como os correios.

O povo de Paris transformou seu ambiente físico, destruindo os símbolos do Antigo Regime. Em 10 de abril, a guilhotina foi arrastada para a Praça Voltaire e queimada publicamente por uma multidão liderada por mulheres. Em 16 de maio, a Coluna Vendôme, que glorificava as conquistas imperialistas de Napoleão, foi demolida e a praça foi rebatizada de Place Internationale. Os communards demoliram os símbolos da velha ordem, mas também exigiram mudanças positivas. A Comuna tinha uma política de criar “luxo comunitário”, frase cunhada por Eugène Pottier, que escreveu a “Internacional” para comemorar a Comuna.[43] “Luxo comunitário” era um programa de beleza pública em que a arte seria integrada à vida pública, ao invés de tratada como uma mercadoria privada desfrutada pelos ricos.[44] O pintor radical Gustave Courbet trabalhou para a Comissão de Artes da Comuna. Ele descreveu os enormes esforços que o povo fez para reordenar sua sociedade:

“Eu tomo café da manhã e presido reuniões por 12 horas todos os dias. Minha cabeça começou a girar, mas apesar desse tormento mental, ao qual não estou acostumado, estou encantado. Paris é um verdadeiro paraíso! Sem polícia, sem absurdos, sem exação de qualquer tipo, sem argumentos! Tudo em Paris funciona como um relógio. Todos os órgãos do governo são organizados federalmente e administrados por si próprios”.[45]

Conforme a arte e a política se entrelaçavam, as mulheres artistas encontravam sua voz. A cantora Rosalie Bordas, conhecida como La Bordas, nasceu em Monteux, em 1840, e aprendeu a cantar no Red Café, dirigido pelos seus pais. Mudou-se para Paris e cantou no Concerto de Paris e, em 1870, durante o cerco, cantou “La Marseillaise” e agitou uma bandeira tricolor no palco. Ela estava comprometida com a Comuna, apresentando canções revolucionárias, envolta por uma bandeira vermelha, a fim de arrecadar fundos para os feridos.[46]

A Comuna demonstrou que a classe trabalhadora era capaz de organizar a sociedade de maneira mais eficiente e justa do que os políticos e burocratas privilegiados que eles substituíram. No entanto, muitos dos apoiadores da Comuna tinham uma ambição mais ampla: lançar as bases de uma sociedade socialista. Elise Reclus, que havia sido membra do círculo feminista de André Léo, escreveu:

“A Comuna preparou para o futuro uma nova sociedade na qual não há senhores por nascimento ou riqueza, e nem escravos por origem, casta ou salário. Por toda a parte a palavra “Comuna” foi entendida no seu sentido mais amplo como referindo-se a uma nova humanidade, formada por companheiros livres e iguais, alheios à existência de velhas fronteiras, ajudando-se mutuamente em paz de um extremo ao outro do mundo“.[47]

Eles acreditavam que a Comuna poderia inspirar um movimento internacional em direção ao igualitarismo e à liberdade.

Construindo uma nova sociedade

Arthur Arnould publicou, em 1878, um livro chamado Estado e Revolução, 40 anos antes da obra de Lenin com o mesmo nome. Nele, Arnould explicou as ambições únicas da Comuna:

“A Comuna de Paris foi algo maior e algo diferente do que uma revolta. Foi o advento de um princípio, a afirmação de uma política. Em suma, não foi apenas mais uma revolução. Foi uma nova revolução, trazendo nas dobras de sua bandeira um programa totalmente original e característico”.[48]

A implementação deste programa exigiu o envolvimento massivo do povo de Paris anteriormente marginalizado. Em 26 de março, cerca de 200.000 homens parisienses elegeram um Conselho Geral para organizar a Comuna. Quando os resultados foram declarados, um terço dos eleitos eram membros da I Internacional. Os resultados foram saudados com um “espetáculo deslumbrante de esperança por mudança, dezenas de milhares nas ruas, a ‘Marselhesa’ tocando, bandeiras vermelhas sendo agitadas, um mar de estandartes e baionetas brilhando ao sol”.[49]

As mulheres não foram autorizadas a votar nessas eleições e sua exclusão levou alguns historiadores a questionar se as mulheres foram realmente incluídas nesta “República Universal”. O historiador James McMillan argumenta que “não se pode afirmar que os direitos das mulheres estavam no topo das prioridades da Comuna”.[50] Existem várias razões para esta interpretação da Comuna. Quando as tropas do governo foram expulsas de Paris, a Federação da Guarda Nacional preencheu o vácuo de poder. Baseada no serviço militar, era uma organização inteiramente masculina. A Guarda Nacional cedeu o poder à instituição formal da Comuna, que era o conselho municipal de Paris, embora estivesse se adaptando rapidamente à revolução que acontecia nas ruas. As heranças do passado moldaram as estruturas formais da Comuna, mesmo enquanto o movimento de massa estava estabelecendo novas prioridades e aspirações. Uma dessas heranças foi o sistema de votação usado no Segundo Império, que excluía as mulheres e refletia a natureza entrincheirada do sexismo na sociedade francesa.

Outra razão para a interpretação negativa do papel das mulheres na Comuna reside nas histórias feministas que igualam o feminismo a um “vocabulário de direitos”, que limita as definições de feminismo à busca de direitos civis paritários para as mulheres.[51] As communards rejeitavam a ideia de direitos civis e, em vez disso, exigiam o direito de trabalhar e se organizar coletivamente. Elas não se apresentavam em termos de direitos civis e, portanto, foram esquecidas nas histórias feministas da França.

A exclusão das mulheres da instituição formal da Comuna poderia ter sido contestada se a Revolução Parisiense tivesse sobrevivido por mais do que algumas semanas. Havia um debate constante sobre o papel que as mulheres deveriam desempenhar na Comuna. André Léo queixou-se de que as mulheres que queriam apoiar a Comuna eram às vezes rejeitadas por militantes homens que não queriam que as mulheres atuassem como enfermeiras e abastecessem as linhas de frente.[52] A ala marxista da I Internacional era a única organização política na França que apoiava a fração feminina. Pelo menos quatro membros socialistas da Comuna – Eugène Varlin, Benoît Malon, Édouard Vaillant e o húngaro Leó Frankel – tomaram iniciativas que promoveram a igualdade das mulheres em suas áreas de responsabilidade. Uma historiadora da Comuna, Gay Gullickson, argumenta que, uma vez que nenhuma mulher era membro dos órgãos dirigentes da Comuna – o Comitê Central, o Conselho Comunal e a Guarda Nacional – a Comuna não poderia representar seus interesses.

No entanto, o argumento de Gullickson ignora as maneiras pelas quais a Comuna respondeu ao ativismo feminino. Na verdade, foi o primeiro regime francês a nomear mulheres para cargos de responsabilidade, nos quais lideravam programas de bem-estar, que fizeram apelos vitais para o apoio às cidades provinciais e transformaram a educação.[53] Os despejos foram proibidos, e foram introduzidos subsídios para parceiras não casadas com guardas nacionais e seus filhos. Muitos contemporâneos viram isso como a medida mais revolucionária da Comuna.[54] O communard Arthur Arnould escreveu:

“Este decreto, que eleva a mulher ao nível do homem, que a coloca, aos olhos da moral e da lei, em pé de igualdade cívica com o homem, colocou-se no plano da moralidade vivida e desferiu um golpe mortal na instituição religiosa-monárquica do casamento tal como a vemos funcionando na sociedade moderna”.[55]

Apesar da avaliação de Arnould ser um pouco otimista, foi um movimento de grande significado para as mulheres da classe trabalhadora. Outras reformas importantes incluíram a proibição da venda de milhares de itens deixados nas lojas de penhores. A Comuna também organizou esquemas de assistência pública, distribuindo fichas para os pobres e instalando cantinas públicas. Em abril, a Comuna anunciou que estava requisitando as casas deixadas vazias pelos ricos para uso das famílias pobres.[56]

Um segundo problema com o argumento de Gullickson é que ela aborda a Comuna de cima para baixo, e não de baixo para cima. As organizações de mulheres militantes na Comuna, bem como mulheres ativistas importantes, como Louise Michel, não consideravam o voto central para sua visão de libertação coletiva. Elas tendiam a desprezar o direito ao voto, concentrando-se no direito ao trabalho e de portar armas, que consideravam mais fundamental e imediato. Elas encontraram maneiras de moldar a Comuna por meio da organização em suas comunidades e locais de trabalho, seus sindicatos, comitês e clubes.

Em seus 72 dias, a Comuna não erradicou completamente séculos de opressão às mulheres. No entanto, promoveu as mulheres a posições de autoridade e permitiu que elas tivessem verdadeiro poder sobre suas vidas. Ao avaliar a história da Comuna, deve-se lembrar que em nenhum lugar no mundo, com exceção de uma área da Austrália, as mulheres tinham o direito de votar nas principais eleições de 1871, nem mesmo as mulheres proprietárias. Nenhuma mulher prestou serviços ao governo francês até três mulheres serem indicadas pela coalizão da Frente Popular de 1936. Essas mulheres foram nomeadas em vez de eleitas porque não puderam se candidatar a cargos ou votar em uma eleição até 1945. Vista de uma perspectiva internacional e histórica, a Comuna se destaca como uma forma de governo que encorajou o apoio ativo das mulheres.

Em troca, as mulheres fizeram enormes sacrifícios para apoiar a Comuna. Elas não tinham tempo, liberdade e energia, proporcionadas por água encanada e banheiros em suas casas, por gás, eletricidade e transporte público. Elas tiveram que controlar suas menstruações, gravidez e parto sem higiene básica, alívio da dor e apoio médico. Elas tinham pouca ou nenhuma educação, nenhum serviço de saúde e nenhuma pensão.[57] Em tempos normais, elas eram vistas como passivas, resignadas e submissas à Igreja Católica. Ainda assim, durante a Comuna, aquelas mulheres começaram a agir como se sentissem que poderiam ser ouvidas, como se pudessem fazer a diferença. E elas fizeram a diferença.

Em primeiro de abril, o governo declarou guerra a Paris. Em 11 de abril, foi criada a União das Mulheres pela Defesa de Paris. Seu objetivo era mobilizar as mulheres para defender a Comuna, tratar dos feridos e realizar trabalhos importantes. Seus comitês se reuniam diariamente na maioria dos distritos de Paris e se tornaram “a maior e mais eficaz organização da Comuna”.[58] A União tinha como objetivo organizar a defesa da revolução de Paris e instigar mudanças de longo prazo no trabalho das mulheres para erradicar os senhores e exploradores. Ela emitiu um discurso conclamando a Comuna a abolir todas as formas de desigualdade de gênero e descrevendo a discriminação sexual como um meio empregado pela classe dominante para manter seu poder. Esta foi a primeira vez que uma importante organização de mulheres francesas explicou seu status inferior em termos de classe.[59]

As conquistas da União foram enormes. Ela forneceu auxílio para orfanatos e cuidados para idosos, recrutou enfermeiras e trabalhadores de cantinas, forneceu oradores para reuniões públicas. A União pediu espaço nos corredores locais para que pudesse se reunir e trabalhar em uma mesa provendo informações, ajuda e despesas com a impressão de folhetos e cartazes – todos fornecidos pela Comuna. As reuniões noturnas da União contavam com a participação de 3.000 a 4.000 mulheres.[60]

A força motriz por trás da União foi uma notável líder socialista revolucionária, Elisabeth Dimitrieff. Dimitrieff fugiu de sua terra natal, a Rússia, para uma Genebra menos repressiva, onde foi uma das signatárias do documento fundador da seção russa da Internacional. O documento buscou sintetizar as teorias econômicas de Marx com as crenças do influente escritor Nikolai Chernyshevsky sobre o potencial emancipatório da comuna camponesa tradicional. Em Genebra, Dimitrieff conheceu os futuros communards e defensores dos direitos das mulheres, Eugène Varlin e Benoît Malon. Dimitrieff também editou um jornal, The People’s Cause. Sua declaração de fundação diz:

“Como fundamento da justiça econômica, nós desenvolvemos duas teses fundamentais:
A terra pertence a quem a trabalha com as próprias mãos: às comunas agrícolas.
O capital e todas as ferramentas de trabalho pertencem aos trabalhadores: às associações de trabalhadores”
.[61]

Essas idéias ressurgiram na Comuna. Dimitrieff passou três meses em Londres, discutindo seu jornal com a família Marx. Ela pediu para ser enviada a Paris e lá fundou a União das Mulheres. A política de Dimitrieff moldou tudo o que ela fez. Ela procurou mulheres da classe trabalhadora, recrutando lavadeiras e costureiras para a União.

A União das Mulheres não foi a única organização criada por mulheres socialistas para apoiar e influenciar a Comuna. Beatrix Excoffon e Anna Jaclard eram membros do Comitê de Vigilância das Mulheres. Depois, existiu Anna Korvin-Krukovsky, nascida na Rússia em uma família aristocrática. Na década de 1860, o grande escritor russo Fyodor Dostoyevsky a havia proposto em casamento, mas ela o rejeitou. Anna e sua irmã, a matemática Sophie Korvin-Krukovsky, fugiram da Rússia e conseguiram chegar à França e Alemanha, respectivamente. Anna conheceu Victor Jacland em uma reunião revolucionária e, em 1869, os dois foram forçados ao exílio na Suíça. Eles voltaram a Paris quando o Segundo Império caiu em 1870, e ele foi eleito para o Comitê Central da Guarda Nacional. Anna ajudou a estabelecer o Comitê de Vigilância de Montmartre, que organizava oficinas, recrutava enfermeiras para ambulâncias, enviava palestrantes para clubes e caçava trapaceiros.[62] Foi outra organização que permitiu às mulheres expressar suas próprias aspirações e se organizar para alcançá-las.

(continua)

Para ver a segunda parte do artigo clique aqui.


Judy Cox é professora em uma escola primária em Londres e atualmente pesquisa as atividades de mulheres da classe trabalhadora em movimentos radicais do século XIX. É autora dos livros The Women’s Revolution: Russia 1905-1917 (Haymarket, 2019) e Rebellious Daughters of History (Redwords, 2020).


Referências

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Eichner, Caroline J, 2004, Surmounting the Barricades: Women in the Paris Commune (Indianna University Press).

Gluckstein, Donny, 2008, “Decyphering the Internationale: The Eugène Pottier Code”, International Socialism 120 (autumn), https://isj.org.uk/decyphering-the-internationale-the-eugene-pottier-code

Gluckstein, Donny, 2011, The Paris Commune (Haymarket Books).

Gullickson, Gay L, 1996, Unruly Women of Paris: Images of the Commune(Cornell University Press).

Holmes, Rachel, 2014, Eleanor Marx: A Life (Bloomsbury).

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Thomas, Edith, 1964, The Women Incendiaries (Secker & Warburg).


[1] Obrigada a Joseph Choonara, Richard Donnelly, Donny Gluckstein e Rob Hoveman pelos comentários e sugestões.[2] Eichner, 2004, p. 17.
[3] Gullickson, 1996, p. 218.
[4] Gullickson, 1996, p. 10.
[5] Thomas, 1964; Gullickson, 1996; Eichner, 2004.
[6] Ross, 2015, p. 41.
[7] Gluckstein, 2011, pp. 59-60.
[8] Moon, 1978, p. 19.
[9] McMillan, 2000, p. 123.
[10] McMillan, 2000, p124.
[11] McMillan, 2000, p. 124.
[12] McMillan, 2000, p. 115.
[13] McMillan, 2000, p. 130.
[14] McMillan, 2000, p. 128.
[15] McMillan, 2000, p. 119.
[16] Schulkind, 1985, p. 142.
[17] Schulkind, 1985, p. 142.
[18] Schulkind, 1985, p. 144.
[19] Ross, 2015, p. 51.
[20] Ross, 2015, p. 43.
[21] Thomas, 1964, p. 37.
[22] Gullickson, 1996, p. 113.
[23] Gullickson, 1996, p. 113.
[24] Thomas, 1964, p. 85.
[25] Thomas, 1964, pp. 83-5.
[26] Thomas, 1964, p. 88.
[27] Thomas, 1964, p. 38.
[28] Thomas, 1964, p. 36.
[29] Thomas, 1964, p. 32.
[30] Thomas, 1964, p. 6.
[31] Thomas, 1964, p. 7.
[32] Thomas, 1964, p. 6.
[33] A Alemanha havia sido formada apenas dez dias antes, quando, após suas vitórias militares contra os franceses, o rei da Prússia, Guilherme I, foi proclamado chefe do Império Alemão unificado em uma cerimônia no Palácio de Versalhes.
[34] Ross, 2015, p. 54.
[35] Thomas, 1964, p. 42.
[36] Lissagaray, 1976, p. 65.
[37] Thomas, 1964, p. 45.
[38] Ross, 2015, p. 57.
[39] Gluckstein, 2011, p. 7.
[40] Ross, 2015, p. 25.
[41] Lissagaray, 1976, p. 85.
[42] Lissagaray, 1976, p. 85.
[43] Para mais sobre Pottier e a International, ver Gluckstein, 2008.
[44] Ross, 2015, pp. 39-67.
[45] Gluckstein, 2011, p. 9.
[46] Thomas, 1964, p. 110.
[47] Ross, 2015, p. 24.
[48] Ross, 2015, p. 58.
[49] Gluckstein, 2011, p. 42.
[50] McMillan, 2000, p. 133.
[51] Jones and Verges, 1991, p. 492.
[52] McMillan, 2000, p. 133.
[53] Schulkind, 1985, p. 135.
[54] Thomas, 1964, p. 54.
[55] Thomas, 1964, p. 54.
[56] Holmes, 2014, p. 103.
[57] Schulkind, 1985, p. 130.
[58] Ross, 2015, p. 72.
[59] Schulkind, 1985, p. 139.
[60] McClellan, 1979, p. 152.
[61] Ross, 2015, p. 69.
[62] Thomas, 1964, p78.

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