feminismo marxista de ruptura

Uma dos temas mais importantes para o Marxismo Feminista é como a relação entre as esferas de produção e reprodução afeta a geração de valor. Neste ensaio, Anna Curcio traça um panorama do Feminismo Marxista de Ruptura, um movimento intelectual e político que teve início com feministas italianas nos anos 1970 que criticavam tanto o Marxismo operaísta quanto o feminismo existente naquele momento por tratarem a reprodução como esfera separada e autônoma com relação à produção. O texto oferece uma excelente revisão bibliográfica e situa o pensamento de autoras como Silvia Federici no seu contexto político e intelectual, enfatizando os diálogos entre feministas de diversas partes do Norte Global.
Embora o debate iniciado nos anos 1970 tenha perdido relevância a partir dos anos 1980, autoras contemporâneas como Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Susan Ferguson, Silvia Federici e Melinda Cooper vêm retomando a temática da reprodução social como locus privilegiado para entender os caminhos do capitalismo neoliberal. Assim, novas possibilidades analíticas e políticas estão abertas. O Feminismo Marxista de Ruptura, como demonstra Curcio, tem uma série de limitações mas também abre diversas oportunidades para somar a novas frentes do marxismo feminista.

O ensaio a seguir for originalmente publicado no livro Introduzione ai femminismi, depois foi publicado em inglês na Viewpoint Magazine, e agora traduzido para o português por Ana Flávia Bádue.

Feminismo Marxista de Ruptura

Anna Curcio

Marx, Feminismo e Ruptura

Com a expressão “Feminismo Marxista de Ruptura”, me refiro ao frutífero e crítico encontro entre marxismo e feminismo radical debatido e desenvolvido ao longo dos anos 1970. Essa discussão teve início em 1972 com a publicação (em inglês e italiano) de The Power of Women and the Subversion of the Community (O poder das mulheres e a subversão da comunidade), de Mariarosa Dalla Costa[1]. As protagonistas desse debate se definiam como feministas militantes, orientadas pela urgente necessidade de uma análise teórica voltada para a intervenção política, a qual produziria uma ruptura com a tradição teórica marxista e seus discursos de emancipação. The Power of Women é uma reflexão coletiva que emana do debate do grupo Luta Feminista, sediado em Pádua, e do subsequente encontro entre Mariarosa Dalla Costa e Selma James, e portanto pelo encontro dos conhecimentos de Dalla Rosa sobre operaísmo italiano e da crítica de Selma James à emancipação das mulheres por meio do trabalho assalariado (que se encontra no ensaio “A Woman’s Place” [“O lugar da mulher”])[2].

A campanha Salário para o Trabalho Doméstico tomou forma no início dos anos 1970, como resultado de uma série de encontros internacionais envolvendo mulheres de diversas origens sociais, geográficas, e de múltiplas experiências políticas e afiliações. Esse também foi um período de profundas transformações sociais. A luta de mulheres dentro e fora da família produziu uma mudança profunda nos modos de pensar, nos hábitos e nos costumes. É nesse contexto que nasceu o que eu chamo de Feminismo Marxista de Ruptura.

Também uso essa expressão para me referir à discussão, embora crítica, que se seguiu — da qual se encontram traços no trabalho de Lucia Chisté, Alisa Del Re e Edvige Forti, publicado em 1979 como Oltre il lavoro domestico (Para além do trabalho doméstico)[3]. O título desta obra sugere que as autoras romperam com os grupos que lutavam por Salários para o Trabalho Doméstico e focavam no que elas consideravam formas concretas de libertação do trabalho doméstico. Como Alisa del Re explica em uma entrevista de 2005, elas teriam trazido o que aprenderam com trabalhadorxs de Porto Marghera em Veneza para a luta feminista[4]. Elas sabiam que focar na luta por serviços sociais não era um ato revolucionário imediato; entretanto, assim como operarixs venezianos haviam demandado por “cinquemila lire subito” (“cinco mil liras agora”), sua luta visava uma vida melhor.

O Feminismo Marxista de Ruptura é um método, uma prática teórico-política que lê Marx com o objetivo de trazê-lo para ações políticas urgentes, por meio da identificação das fraquezas de análises marxianas no que se refere à reprodução da força de trabalho. Com esse sentido de urgência, Leopoldina Fortunati, em The Arcane of Reproduction (O arcano da reprodução) (primeiramente publicado na Itália em 1981), imagina quais seriam outros pontos de ruptura do feminismo frente aos “resultados da crise capitalista da reprodução”. Ela também questiona como construir e seguir na luta uma vez que a rejeição do papel reprodutivo em 1960 e 1970 levou a uma crise do modelo fordista de produção sem resolver a questão da exploração e subordinação das mulheres[5]. Alguns anos depois, junto com Silvia Federici, Fortunati relê Marx, salientando alguns dos problemas do seu paradigma de acumulação primitiva. Publicado em 1984, o Il grande Calibano parte a discussão sobre o histórico fenômeno de caça às bruxas para reafirmar a centralidade política da reprodução[6]. Nos anos subsequentes, enquanto a luta feminista mudava de direção, Antonella Picchio, apesar de vir de um ambiente militante distinto, dedicou grande parte de seu trabalho político e intelectual para avançar o discurso sobre o valor produtivo da reprodução iniciado por grupos que lutavam por Salários para Trabalho Doméstico e, em colaboração com Selma James, levou esse tópico para a agenda da IV Conferência Mundial sobre a Mulher em Beijing[7]. Mas com o passar do tempo, com a pressão do retorno à vida privada ocasionada pela contrarrevolução liberal, e como resultado do novo interesse do feminismo pelo simbólico, essa experiência acabou caindo no esquecimento.

Por Feminismo Marxista de Ruptura, portanto, entendemos primeiramente uma prática de intervenção política e militante, uma crítica feminista ao desenvolvimento do capital que confronta diretamente as relações sociais de produção, começando com Marx e indo para além dele. Certamente já existia um pensamento marxista feminista, por exemplo, nos escritos de Rosa Luxemburgo sobre a condição feminina, ou a proposta de Aleksandra Kollontai por uma reorganização radical das relações sociais até mesmo dentro da esfera da sexualidade e do afeto. Também existia a abordagem diretamente materialista e crítica de autoras como Christine Delphy, que em 1970 sob o pseudônimo Christine Dupont, escreveu um texto fundante do marxismo radical francês, “O inimigo principal”[8]. Entretanto, nenhuma dessas análises havia rompido com a tradição marxista no sentido que, apesar de terem colocado o trabalho doméstico e a esfera da reprodução no centro da análise, estas se mantinham separadas da esfera da produção de valor: as primeiras eram consideradas valor de uso e não valor de troca. Mesmo quando, em 1940, Mary Inman rompeu com seu partido para escrever In Woman’s defense (Em defesa da mulher), o qual insistia no valor produtivo da reprodução, sua análise mantinha a distinção entre a esfera produtiva masculina e a esfera reprodutiva feminina, o que estava totalmente alinhado com o pensamento marxista da época[9].

Mas para o Feminismo Marxista de Ruptura, o ponto é precisamente ir além de Marx. Não como um mero exercício teórico, mas como uma escolha política que nos permite cumprir com os desafios de nosso tempo. Nesse sentido, o Feminismo Marxista de Ruptura pode ser entendido como uma tradução do método operaísta, resumido pelo adágio Trontiano de que “o conhecimento deve estar ligado à luta”[10]. Foi isso que informou a experiência dos grupos que lutavam por salários para o trabalho doméstico, bem como o pensamento de Dalla Costa e Del Re em Pádua, e de Federici em Nova York, a qual estava em contato constante com as italianas. Esse método se cruzou também com outros caminhos intelectuais e militantes, em particular com o trabalho de Selma James. Como Dalla Costa nos lembra, esse método deve sua existência e seu sucesso ao “ativo mundo militante do operaísmo”, a partir do qual nasceu[11]. Entretanto, é um erro reduzir essa experiência simplesmente à matriz herdada do operaísmo. Embora possamos traçar aspectos comuns (as próprias protagonistas fazem referências a essa genealogia), falar de um “feminismo do operaísmo” não leva em conta como elas foram além do operaísmo, as críticas que fizeram a esse movimento, ou como as feministas foram submetidas a diversos debates dentro dos círculos operaístas. Também não podemos definir um “feminismo autonomista”, conceito bastante difundido no mundo anglófono, uma vez que as camaradas do Luta Feminista já haviam rompido com o Poder Operário quando o movimento Autonomista nasceu — depois da conferência em Rosolina em 1973. O Feminismo Marxista de Ruptura, portanto, é uma perspectiva marxista feminista sobre a ação política, um estilo de militância que expressa a urgência política e intelectual de levar Marx para além de alguns de seus limites.

O início: a campanha internacional Salário para o trabalho doméstico

Dentre as pautas para discussão que Dalla Costa propôs em Pádua, em Junho de 1971, estavam: o valor produtivo e a remuneração do trabalho doméstico; mulheres como subjugadas ao trabalho doméstico; a família como lugar de produção e reprodução da força de trabalho. Essa discussão levou à publicação de The Power of Women. Exatamente um ano depois, em junho de 1972, Dalla Costa, James, Silvia Federici (em Nova York), Brigitte Galtier (em Paris) e outras companheiras do Luta Feminista, fundaram o Coletivo Feminista Internacional (CFI), o qual criou a campanha internacional Salário para o Trabalho Doméstico. Em apenas um mês após o primeiro encontro, o CFI tomou o cenário político italiano quando um seminário organizado pelo movimento feminista Empregos para Mulheres na Universidade de Roma foi barrado por “homens que se auto-definiam como ‘companheiros’”, pois eles se recusavam a permitir que mulheres definissem, de forma autônoma, sua própria exploração e suas formas de luta[12]. Nos dias seguintes, o Luta Feminista e o CFI escreveram uma carta para o editorial do jornal Il Manifesto (O Manifesto), respondendo a um texto que o jornal Poder Operário havia publicado sobre aquele assunto. A carta questionava conceitos como salário, classe e composição de classe a partir de uma perspectiva feminista. Esses conceitos eram caros ao operaísmo italiano e por isso houve uma ruptura feminista com o Poder Operário.

A genealogia Marxista Feminista da Ruptura não é, entretanto, uma simples história de lágrimas e rompimentos. É também um encontro com outras correntes heréticas do marxismo, em particular com a tendência Johnson-Forest nos Estados Unidos e com o Socialismo ou Barbárie na França — e com a crítica ao marxismo proposta pelo movimento negro anti-colonial e pelo pensamento de Frantz Fanon, com o qual James era familiarizada. Dentro de redes intelectuais e militantes, ficou definido, portanto, que nos anos 1960 havia se desenvolvido uma alternativa e um discurso crítico ao marxismo tradicional, de Pádua, Milão e Torino até Londres e Detroit (onde a Liga de Trabalhadores Negros Revolucionários era ativa). O nascimento do CFI não surgiu, portanto, do nada e a campanha Salário para o Trabalho Doméstico se tornou imediatamente uma estrutura organizacional internacional, nutrida por encontros e por traduções coletivas de textos que envolviam mulheres de diferentes contextos políticos e sociais. Esse movimento incluía brancas, negras, mulheres imigrantes, mulheres heterossexuais, lésbicas, trabalhadoras e não trabalhadoras. A campanha Salário para o Trabalho Doméstico se enraizou pelo mundo: em Londres (sob a lideração de Selma James e Susie Fleming); em várias cidades dos Estados Unidos, especialmente no Brooklyn (onde estavam Silvia Federici e Nicole Cox)[13]; na Alemanha (envolvendo Barbara Duden e Gisela Bock); na Suíça (em particular em Genebra com Viviane Luisier, Alda de Giorgi e Suzanne Lerch); no Canadá anglófono (em torno da figura de Judy Ramirez em Toronto); e em muitas cidades da Itália, do norte ao sul do país. Na Itália, os grupos eram particularmente fortes em Vêneto e Emília, e mais fracos em Roma e Milão, onde grupos de tomada de consciência prevaleceram — outra forte corrente do feminismo italiano daquele período. Os principais instrumentos de agitação política, seguindo o estilo típico da militância operaísta, eram a revista bimestral As operárias de casa, que insistia na centralidade da esfera doméstica para a luta, e uma série de panfletos temáticos publicados pela editora Marsilio.

Com suas múltiplas práticas políticas, a campanha Salário para o Trabalho Doméstico não era apenas uma simples demanda. Era uma ferramenta de organização e uma chamada à luta que visava recompor as muitas faces da luta contra a exploração e subordinação das mulheres. A crítica ao trabalho doméstico e seu status não-pago dava espaço também para uma série de outras pautas, tais como: demandas pela redução da jornada de trabalho das mulheres (salários eram exigidos como forma de autonomia econômica para que as mulheres não precisassem fazer jornada dupla); desafios aos diversos estereótipos heteronormativos, de mulheres submissas ou de máquinas reprodutivas da força de trabalho; e o suporte à direitos reprodutivos — acesso a aborto, anticoncepcionais, saúde sexual — e à necessidade de relacionamentos interpessoais de qualidade. Por exemplo, haviam projetos de construção de centros de aconselhamento autogeridos onde se criariam novas relações entre as mulheres e a medicina.

Dentro dessa rede internacional, diversos grupos organizados em torno da campanha Salário para o Trabalho Doméstico se cruzavam e também interagiam com outras agendas. Na Grã-Bretanha, esses grupos tiveram contato com a luta por benefícios familiares do grupo Unsupported Mothers (Mães sem apoio). Nos Estados Unidos, eles se juntaram a lutas do grupo Welfare Mothers (Mães pelo Bem Estar), que demandava salário para o trabalho reprodutivo. Silvia Federici descreve, ainda, interações com sit-ins fora de prisões organizados por afro-americanxs e latinxs em um período de políticas de crescente repressão penal e encarceramento[14]. No Brooklyn em 1976, Wilmette Brown, do grupo Mulheres Negras pelo salário para o trabalho doméstico escreveu “A autonomia de mulheres negras lésbicas”, um texto que Barbara Smith indica como uma das bases da crítica feminista negra[15]. Em alguns casos, a palavra de ordem por salários andava junto à questão dos serviços públicos como provedores de salários indiretos. No início, essa pauta era limitada à algumas áreas da Itália onde os governos locais começaram a aumentar a oferta de serviços públicos. Mas ela se ampliou como uma tentativa “mais prática e não menos radical” de demandar mais desses serviços em resposta às necessidades sociais de cada região[16]. Mais tarde, no final dos anos 1970, a luta por serviços tomou centralidade em Pádua, quando a demanda por salários para o trabalho doméstico foi questionada teoricamente no trabalho de Chisté, Del Re e Forti. Em Genebra, o grupo que liderou a campanha Salário para o Trabalho Doméstico também se originou com o foco nos salários domésticos e se transformou em uma luta por serviços públicos[17].

Outro elemento que garantiu a ruptura do feminismo marxista com o feminismo branco de esquerda foi que, por ter uma dimensão transnacional, a intervenção política da militância estava atenta a questões de raça e de gênero. “Sexo, raça e classe (…) provaram não estarem separados mas, na verdade, serem inseparáveis”, era uma forte convicção de Selma James, cujo texto Sexo, Raça e Classe circulou amplamente dentro do CFI, demonstrando que raça e gênero eram elementos estruturais do sistema de produção capitalista, internos à definição de classe e a sua composição. Ela afirmava que “se sexo e raça são separados do conceito de classe, o que resta é uma política mutilada, provinciana e sectária de homens brancos de esquerda de países metropolitanos”[18]. Alguns anos depois, o Il grande Calibano de Fortunati e Federici iria enfatizar o papel da caça às bruxas e a invenção da bruxaria indígena nas colônias como fase da acumulação primitiva, segmentando classe em termos de gênero e raça.

A crítica feminista de Marx definia um novo horizonte de classe que focava tanto em mulheres como na racialização de negrxs, que teriam ficado de fora da definição tradicional de classe por não fazerem parte de relações assalariadas. Isso representa uma forte crítica tanto ao feminismo marxista quanto ao socialista daquele tempo, os quais, alinhados com Marx, viam o trabalho assalariado como o ponto de partida para a emancipação das mulheres e entendiam a reprodução como uma relação pré-capitalista. As feministas de ruptura, entretanto, questionavam a centralidade política da relação assalariada, a fim de afirmar a centralidade da reprodução. Não mais uma esfera separada ou um apêndice não-produtivo, a esfera da reprodução passou a ser, na visão dessas feministas, uma esfera imediata de produção de valor, historicamente definida pelo e para o capital e alinhada com sua organização. A esfera da reprodução tornou-se o centro da produção de valor autônomo, na determinação dos preços a partir dos quais (tanto por meio dos níveis de salário como na ausência deste) o capital estabelecia a mais-valia e as formas de exploração.

Concorrendo com Marx

Marx é indispensável ao mesmo tempo que insuficiente para entender as formas de exploração e subordinação da mulher. As feministas de ruptura alavancaram a análise para além dos estreitos padrões do marxismo, revelando uma vasta área de exploração que era invisibilizada: a do trabalho doméstico, da sexualidade e da procriação. Essas eram as atividades centrais da produção de uma mercadoria muito especial, a força de trabalho (a única mercadoria que produz outras mercadorias). Marx havia apreendido e denunciado a opressão das mulheres na família burguesa e as brutais condições de exploração de mulheres e crianças nas fábricas da segunda metade do século XIX. Mas ele ignorou a forma específica dessa subordinação e exploração e, sobretudo, ao tratar a produção de valor sob a racionalidade do salário, ele perdeu de vista a produção autônoma de valor na esfera reprodutiva. Esse foi o ponto de partida da crítica feminista que questionaria o paradigma marxista em sua totalidade.

No esquema marxista, a reprodução da força de trabalho é parte do processo de produzir bens: xs trabalhadorxs recebem um salário e com este, satisfazem suas necessidades reprodutivas (comida, roupas, moradia, bem como afetos e relacionamentos). Mas o trabalho necessário para transformar esses bens em elementos concretos de subsistência para xs trabalhadorxs não é levado em consideração, nem o valor que esse trabalho produz — o qual é imediatamente valor de troca, e não valor de uso. Entretanto, as mulheres sabem, por razões históricas e materiais, que a comida deve ser preparada, que as roupas precisam ser feitas, que os lares e as economias domésticas precisam ser geridas. Mesmo afeição e cuidados não fazem parte de vocações naturais das mulheres, mas são executado dentro do processo de produção e das relações sociais de dominação. Para Marx, essas atividades em nada tem a ver com o trabalho. Mas, como Alisa Del Re sugere em um importante ensaio de 1979, esse tipo de trabalho é intrínseco ao modo de produção capitalista, é diretamente controlado por um salário, contribui para o processo de valorização e permite a extração da mais valia na produção daquela mercadoria especial – a força de trabalho[19].

Dessa perspectiva, a reprodução é a produção autônoma de valor. Não é uma esfera separada da produção, mas o pilar do desenvolvimento capitalista. Assim como produtos são produzidos na fábrica, a força de trabalho é produzida em casa. A dona de casa é, com suas intensões e propósitos, uma proletária. O lar é o lugar onde a mais valia é extraída e o núcleo familiar — que passou a existir com a transição à industrialização em larga escala e se tornou a espinha dorsal do modelo Fordista de produção — é o regime de produção, ou seja, a forma como o trabalho é organizado e comandado.

Trabalho doméstico, salário, recusa

Como vimos, da perspectiva do Feminismo Marxista de Ruptura, o trabalho doméstico é produtivo no sentido marxista, ou seja, é trabalho que produz mais valia e é explorado. Federici abre seu ensaio “Salários contra o trabalho doméstico” com o slogan “Eles dizem que é amor, nós dizemos que é trabalho não assalariado”[20]. Esse ponto enfatiza o valor produtivo da reprodução e denuncia o amor romântico que escondia as relações capitalistas no seio da família. Para Federici e outras, a subordinação e a exploração das mulheres não era uma condição natural, mas o produto de um processo historicamente determinado, que teve início na segunda metade do século XIX, na transição da manufatura para a industrialização em larga escala, com o nascimento do proletariado e com a necessidade de uma força de trabalho mais sadia e mais produtiva. A construção da dona de casa em tempo integral reorganizou inteiramente a esfera da reprodução.

Essas mudanças introduzidas pela redução da jornada de trabalho, pelas limitações ao trabalho infantil, pela introdução obrigatoriedade da educação, e pelas leis por melhores condições de trabalho — seguidas pelas denúncias das condições insalubres na vida da classe trabalhadora descritas por Marx no Capital — empurraram as mulheres para dentro de casa e redefiniram a família operária. Os estilos de vida mudaram, a comunidade mudou e, com o aparecimento das primeiras lojas, os bairros também mudaram. Mas a maior mudança estava nas relações de poder e hierarquia dentro da família. Mulheres se transformaram em dependentes do salário de seus maridos e, portanto, uma nova hierarquia de gênero se criou dentro da família. O novo regime de produção investia na reprodução da classe trabalhadora com o fim de assegurar um aumento da produtividade. A dona de casa se tornou responsável por garantir que o salário fosse bem gasto, que o trabalhador fosse bem cuidado e que as crianças fossem devidamente educadas para se tornarem trabalhadoras no futuro. Além disso, para possibilitar que o trabalho doméstico não pago fosse aceito, tornou-se necessário “separar a ‘boa’ da ‘má’ mulher, a ‘dona de casa da puta’” (como Federici escreve em “The Construction of the Fulltime Housewife and Hoswerk in the 19th and 20th Century England”).[21] A família nuclear se tornou o instrumento social e legal que regulava o salário com a finalidade de gerenciar a reestruturação capitalista da produção e da reprodução. Mais tarde, quando a linha de produção foi introduzida nas fábricas, uma nova função da família foi adicionada, aquela de “compensar o stress”[22].

Nos anos 1970, esse modelo entrou em crise. A reestruturação produtiva, que estava em marcha como resposta às lutas operárias, transformou também o salário, que neste ponto deixou de controlar o ciclo do trabalho reprodutivo como um todo: “o tempo de trabalho ligado à reprodução começa ser marcado por prazos sociais extrínsecos (…) a família nuclear não mais se sustenta e é destruída pela jornada dupla de trabalho e pela fragmentação da reprodução cotidiana”[23]. Mulheres começaram a adquirir autonomia dentro da família e começaram a rejeitar o papel historicamente atribuído a elas, resultando na socialização e no alargamento das lutas na esfera reprodutiva. A resposta do capital foi transformar tanto o trabalho produtivo quanto reprodutivo: a chamada reestruturação pós-fordista. O trabalho reprodutivo não pago caracterizado por pela exaustão física desapareceu (pois se tornou assalariado ao ser terceirizado para sujeitos mais vulneráveis, como imigrantes). Essa terceirização dividiu o trabalho reprodutivo em milhares de tarefas, definindo uma “temporalidade de infinitos trabalhos comandados, com diferentes segmentos de produção e reprodução fundidos”[24]. A estrutura formal da reprodução mudou, mas o comando do salário foi mantido intacto, definindo agora uma hierarquia da jornada dupla: “uma mulher, um salário, dois trabalhos”[25]. Levando esse ponto a fundo, Del Re salientou que a reestruturação do trabalho reprodutivo em escala global intensificou o processo de assalariar a reprodução em termos raciais, definindo um novo regime de salários no campo reprodutivo, no qual uma mulher paga outra mulher para fazer o trabalho doméstico – “duas mulheres, dois trabalhos e um salário para dividir” — e uma nova hierarquia de trabalho normalmente marcada por marcadores raciais[26].

O Feminismo Marxista de Ruptura foca na função social do salário dentro da família. Salários são a relação de subordinação que define a divisão sexual e internacional do trabalho e que conecta não assalariadxs a assalariadxs (em uma relação de subordinação e dependência), e também conecta aquelxs que recebem salários mais altos e mais baixos (tal como as diferenças de salário entre brancas e negras que trabalham na área de cuidados). Além disso, o salário como forma de organização das relações sociais e reprodutivas naturaliza os papeis e as atividades, fazendo com que áreas inteiras que são exploradas sejam invisibilizadas. Como é apresentado em The Power of Women, “foi exatamente por meio dos salários que se organizou, de forma efetiva, a exploração do trabalho não pago  (…)  porque a ausência de pagamento a escondia”[27]. Em relação às mulheres, o salário comanda o afeto, a sexualidade e a intimidade. A análise de Dalla Costa e James segue: “o homem como trabalhador assalariado e chefe da família era um instrumento específico dessa exploração da mulher”. De forma similar, a mulher branca assalariada se tornou uma forma específica de exploração da imigrante que passou a executar pelo menos uma parte do trabalho doméstico. O salário, portanto, é o que impõe uma fratura entre homens e mulheres, entre brancxs e negrxs.

Sob a ótica da luta, estudar a função social do salário permitiu às feministas de ruptura definirem uma forma específica de conflito, entendido como resistência ou rejeição do processo de valorização capitalista. Nesse sentido, a luta por salários para o trabalho doméstico é uma recusa do modelo reprodutivo da família nuclear, a qual é a base da organização capitalista do trabalho. Naquele momento, a conquista de salários para o trabalho doméstico significava a rejeição da naturalização desse tipo de trabalho (pois enquanto não pago, ele estava na origem da produção de mais-valia), a rejeição de hierarquias definidas pelo sistema de salário dentro da família, e a rejeição do mito de libertação por via do trabalho assalariado. Como Dalla Costa escreveu em 2005 ao avaliar sua experiência anterior e a luta por trabalho assalariado, “por que fizemos do nosso alvo aquilo que os homens queriam rejeitar?”[28]. A luta por acesso a serviços sociais pode, também, em alguma medida, ser lida como uma recusa da vida dedicada ao trabalho, uma vez que a reprodução exigia a recuperação do tempo livre e a redução do tempo de trabalho.

Acumulação Primitiva

A análise da função social do salário produziu uma outra importante crítica feminista a Marx. Na busca pelas origens materiais da exploração das mulheres, como resposta a muitas críticas feitas pela esquerda ao discurso da dimensão produtiva da reprodução, as feministas de ruptura se voltaram para as origens do capitalismo. De um ponto de vista feminista, o processo de acumulação primitiva não era apenas baseado na separação dos produtores rurais de suas terras, mas também na separação entre o processo de produzir bens para o mercado e o processo de reprodução da força de trabalho. Diferente de economias de subsistência, esses processos se tornaram distintos e executados por diferentes sujeitos, respectivamente: os homens seriam encarregados do primeiro processo e as mulheres, do segundo. Esse foi um passo histórico que escondeu a produção autônoma de valor dentro da esfera reprodutiva.

Em Il Grande Calibano, Fortunati e Federici analisaram a transição do feudalismo para o capitalismo, considerando o momento de acumulação do ponto de vista da reprodução. Elas disponibilizaram uma vasta documentação histórica dos processos que definiram a construção social da força de trabalho como uma função do desenvolvimento do capital. Elas localizaram a caça às bruxas como central para esse processo, como um evento fundador da sociedade capitalista moderna e como estando na origem da divisão sexual do trabalho, da desvalorização do trabalho feminino e da desvalorização das mulheres propriamente ditas. Posteriormente, Federici demonstrou que a invenção da magia, entre os séculos XVI e XVII, tinha quatro funções principais: dividir a comunidade para desestruturar a resistência campesina à privatização e tomada de terras; definir a divisão sexual do trabalho de maneira que fosse funcional ao novo regime de produção por meio da exploração do controle do corpo, da sexualidade e das capacidades produtivas das mulheres; desmantelar os conhecimentos médicos das mulheres a partir do estabelecimento da medicina como ciência; e por fim dar sustentação ao colonialismo e ao racismo nas Américas por meio da demonização de práticas trazidas de África que amparava revoltas de escravizadxs[29].

A caça às bruxas foi um momento de reorganização social que afetou todas as atividades relacionadas à reprodução (relações familiares, atividades sexuais e ligadas à procriação). Ela conferiu nova base e novas funcionalidades aos sistemas patriarcais de exploração que preexistiam ao capitalismo. As feministas de ruptura, portanto, também marcam uma cisão com outras correntes do feminismo radical que consideravam capitalismo e patriarcado como diferentes sistemas de opressão, o primeiro operando como esfera pública e o segundo como esfera privada ou família. Como alternativa, as feministas de ruptura afirmam que o capitalismo redefine relações patriarcais dentro das relações capitalistas de produção, ou seja, há uma tradução da histórica subordinação das mulheres nos termos capitalistas. Isso aconteceu no momento em que o capital separou a produção de bens da reprodução da força de trabalho, estabelecendo o trabalho reprodutivo como condição natural do ser da mulher. Ao fazer isso, o capital definiu uma ampla área para acumulação, a qual depende da exploração do trabalho não pago de reprodução.

Nos anos 1990, a partir das reflexões sobre a relação entre acumulação e exploração da natureza — referindo-se à história da privatização da terra na origem do capitalismo — surgiu um novo discurso feminista sobre acumulação que tomou uma direção ligeiramente distinta daquela das feministas marxistas de ruptura. Em particular, Della Rosa e Federici, em comparação com o ecofeminismo de Vandana Shiva e Maria Mies, discutiram a renovada relevância da acumulação na transição para o capitalismo, focando na relação entre natureza e reprodução. Enquanto as primeiras o fizeram por meio da crítica à globalização neoliberal[30], as segundas teceram reflexões sobre os novos processos de privatização de terras na África, América Latina e, mais recentemente, na Europa durante a consolidação de uma economia baseada em dívidas e da política do comum[31]. Ao mesmo tempo, na década de 1990 a hipótese teórica levantada pelas feministas marxistas de ruptura foi deixada de lado enquanto profundas transformações sociais e produtivas indicavam novos caminhos para relações de produção e reprodução.

Testando no presente

Em um contexto totalmente diferente do ponto de vista social e produtivo, o que permanece hoje das intuições e análises das feministas marxistas de ruptura? Elas podem ser usadas para discutir o contexto do movimento Ni Una a Menos na Argentina, que chama atenção para a materialidade dos processos produtivos e das dinâmicas sociais, e que deu um pontapé inicial para um movimento feminista transnacional? Nos últimos anos, houve uma retomada internacional da crítica feminista a Marx, a qual, ao menos na Itália, é parte resultante do trabalho historiográfico e da disseminação de textos que eram antes inacessíveis. Entretanto, a única forma efetiva de responder a essa questão é olhar para o passado sem perder o presente de vista.

A fim de diferenciar as múltiplas direções da luta e da resistência, e não somente as feministas, é importante prestar atenção ao valor produtivo da reprodução e à função social do salário, particularmente dado o fato de que existe um interesse feminista renovado por essas questões. Entretanto, pode ser perigoso simplesmente aplicar velhos conceitos em um novo paradigma de produção e reprodução. E se queremos uma prática teórica que dê conta dos desafios do presente, também se torna impossível ignorar os impasses e limites das tentativas de fazer greve na esfera reprodutiva (o que sempre é mais fácil de ser dito do que feito), ou ainda os limites de uma demanda por salário que seja desconectada da produtividade capitalista. O único exemplo de greve que vem a cabeça por ter concretamente afetado as relações sociais de produção foi a greve dxs latinxs em 2006 nos Estados Unidos contra a criminalização da imigração — “Um dia sem imigrantes: sem trabalho, sem aula e sem compras” — que envolveu mais de 100.000 pessoas e enfatizou a importância da luta em massa. Já com relação a demandas por salários, esta sempre foi uma das pautas da campanha Salário para o Trabalho Doméstico e mais recentemente entrou para a agenda de lutas trabalhistas contra a precarização na Itália, mas tiveram pouco sucesso.

Deste ângulo, portanto, o Feminismo Marxista de Ruptura é, sobretudo, um método, uma prática teórico-politica que foi construída pela experiência, um método que nos guia na análise de novas funções sociais engendradas pela reprodução e pelo salário. As hierarquias internas e as relações de poder da reprodução foram claramente traduzidas para um novo contexto social, que não necessariamente seguem as linhas de gênero anteriores. A racionalidade capitalista contemporânea vai além da feminização do trabalho. Características da relacionalidade, do cuidado e das emoções, que antes eram atribuídas às mulheres (dentro do processo de “naturalização” da reprodução que as feministas de ruptura rejeitaram fortemente) se tornaram formas específicas de controle sobre a vida e sobre o trabalho produtivo e reprodutivo. A maior evidência disso é a maneira como empresas funcionam cada vez mais como uma espécie de família, com incentivos emocionais, entregando presentes e mecanismos de fidelidade, tais como bônus de Natal. O salário, que perdeu parcialmente suas funções como controle sobre a produção e reprodução do trabalho, teve sua conotação alterada. Por um lado, o salário redesenha o papel dx provedorx dentro de uma família que vai se tornando paulatinamente sui generis (seja a família uma unidade extensa, tenha umx únicx provedorx, seja uma coabitação temporária, ou tantas outras formas de intimidade), sem, no entanto, subverter as relações de poder historicamente consolidadas. Por outro lado, o aumento da precarização e do trabalho não pago, que é um pré-requisito para a nova função social dos salários, está produzindo uma profunda (e ao mesmo tempo preocupante, de uma perspectiva antagônica) transformação nas subjetividades e expectativas com relação ao trabalho. Nas chamadas indústrias cognitivas, não se trabalha tanto por salário, mas para obter visibilidade e reconhecimento social, assim como o status de boa esposa ou mãe amorosa recompensavam historicamente a mulher por seu trabalho reprodutivo não pago[32]. Estamos testemunhando a extensão das características e prerrogativas da reprodução para todo o sistema produtivo. Por essa razão, então, a análise completa do feminismo sobre a reprodução do feminismo, e do feminismo marxista de ruptura em particular, deve ser revista e atualizada. Do contrário, corremos o risco de, novamente, ignorarmos uma esfera inteira de extração de valor que remete (ao mesmo tempo em que excede e vai além da) esfera reprodutiva, assim como Marx teria feito quando não atentou para o valor produtivo da reprodução.

Portanto, o Feminismo Marxista de Ruptura pode ainda ser politicamente relevante se, com atenção crítica e paciência, nós refletirmos sobre o que levou a seu silenciamento e sobre o novo contexto produtivo e reprodutivo. Em outras palavras, as intuições do Feminismo Marxista de Ruptura continuam sendo instrumentos poderosos de luta somente na medida em que elas forem levadas para além de si mesmas, assim como as camaradas feministas fizeram com Marx.

Esse texto foi traduzido da versão em inglês publicada na Viewpoint Magazine. A referência do texto original em italiano é:

Curcio, Anna. 2019. “Il femminismo marxista dela rottura” in Curcio, A (ed.). Introduzione ai femminismi. Roma: DeriveApprodi, pp 9-25.

Notas

[1] Mariarosa Dalla Costa and Selma James, The Power of Women and the Subversion of the Community (Bristol: Falling Wall Press, 1972).

[2] Selma James “A Woman’s Place” (1953), incluído na edição de 1972 de The Power of Women and the Subversion of the Community.

[3] Lucia Chisté, Alisa Del Re e Edvidge Forti, Oltre il lavoro domestico: il lavoro delle donne tra produzione e riproduzione (Milan: Feltrinelli, 1979).

[4] Alisa Del Re, “Intervista,” in Guido Borio, Francesca Pozzi, and Gigi Roggero (eds.), Gli operaisti (Rome: Derive Approdi, 2005).

[5] Leopoldina Fortunati, The Arcane of Reproduction, tradução de Jim Fleming (New York: Autonomedia, 1995 [1981]). Conferir também Maya Andrea Gonzalez, “The Gendered Circuit: Reading The Arcane of Reproduction,” Viewpoint Magazine 3 (2013), and Gowri Vijayakumar, “‘There Was an Uproar: Reading The Arcane of Reproduction Through Sex Work in India,” Viewpoint Magazine 5 (2015).

[6] Silvia Federici e Leopoldina Fortunati, Il grande Calibano: storia del corpo sociale ribelle nella prima fase del capitalismo (Milan: Franco Angeli, 1984).

[7] Cf. Antonella Picchio, Social Reproduction: The Political Economy of the Labour Market (Cambridge: Cambridge University Press, 1992) e Unpaid Work and the Economy: A Gender Analysis of the Standards of Living (London: Routledge, 2003).

[8] DUPONT, Christine. O inimigo principal. In : DURAND, Emanuelle et. al. Liberação da mulher. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.

[9] Mary Inman, In Woman’s Defense (Los Angeles: Committee to Organize the Advancement of Women, 1940)

[10] Cf. Mario Tronti, Workers and Capital, tradução de David Broder (New York: Verso, 2019), página xviii.

[11] Mariarosa Dalla Costa, Nota biografica, “Archivio di Lotta Femminista per il salario al lavoro domestico. Donazione Mariarosa Dalla Costa,”Biblioteca Civica di Padova, 2013; Mariarosa Dalla Costa, “Introduction to the Archive of Feminist Struggle for wages for housework. Donation by Mariarosa Dalla Costa,” tradução de Rafaella Capanna, Viewpoint Magazine 5 (2015).

[12] See the letter from July 7, 1972 addressed to the editorial staffs of “Potere operaio,” “Lotta continua,” and “Manifesto” in Antonella Picchio and Giuliana Pincelli (ed.), Una lotta femminista globale: L’esperienza dei gruppi per il Salario al Lavoro Domestico di Ferrara e Modena (Milan: Franco Angeli, 2019), 90.

[13] Para uma historiografia e uma reconstrução docimental desse período em Nova York, cf. Silvia Federici and Arlen Austin, The New York Wages For Housework Committee 1972-1977: History, Theory, Documents (New York: Autonomedia, 2018).

[14] Conversa pessoal com Silvia Federici.

[15] Barbara Smith, “Towards a Black Feminist Criticism”, The Radical Teacher 7 (March 1978): pp. 20-27. Para mais informações sobre o Mulheres Negras pelo Salário para Trabalho Doméstico, e outros coletivos autônomos dentro da rede internacional, cf. Beth Capper e Arlen Austin, “Wages for Housework Means Wages against Heterosexuality”: On the Archives of Black Women for Wages for Housework and Wages Due Lesbians.” GLQ 24, no. 4 (2018): 445–466.

[16] Conferir a reconstrução desse debate em Picchio and Pincelli (ed.), Una lotta femminista globale: L’esperienza dei gruppi per il Salario al Lavoro Domestico di Ferrara e Modena.

[17] Cf. Louise Toupin, Wages for Housework: A History of an International Feminist Movement, 1972-77, traduzido por Käthe Roth (London: Pluto Press, 2018).

[18] Selma James, Sex, Race and Class”, manuscrito por volta de 1975.

[19] Alisa Del Re, “Struttura capitalistica del lavoro legato alla riproduzione,” in Oltre il lavoro domestico.

[20] Federici, Silvia. 2019. “Salários contra o trabalho doméstico”. In: O ponto zero da revolução. Traduzido por Coletivo Sycoraz. São Paulo: Elefante.

[21] Cf Silvia Federici, “Origins: The Construction of the Fulltime Housewife and Housework in 19th and 20th Century England,” 2016, publicado pela primeira vez no na sua coleção de ensaios El patriarcado del salario. Críticas feministas al marxismo (Buenos Aires: Tinta Limón, 2018).

[22] Del Re, “Struttura capitalistica del lavoro legato alla riproduzione,” p. 20.

[23] Del Re, “Struttura capitalistica del lavoro legato alla riproduzione,” p. 22.

[24] Del Re, “Struttura capitalistica del lavoro legato alla riproduzione,” 22.

[25] Alisa Del Re, “Produzione – riproduzione e critica femminista,” in Gigi Roggero and Adelino Zanini, (ed.), Genealogie del futuro (Verona: ombre corte, 2013), 94

[26] Del Re, “Produzione – riproduzione e critica femminista,” 95.

[27] Dalla Costa and James, The Power of Women, 28.

[28] Mariarosa Dalla Costa, “La porta dell’orto e del giardino,” in Borio, Pozzi, and Roggero (eds.), Gli operaisti, 121-131. Esse texto é uma versão editada de uma fala de Dalla Costa intitulada “The Door to the Flower and Vegetable Garden” (2002), traduzida por Fulvia Serra, Viewpoint Magazine, June 20, 2017.

[29] Silvia Federici, Streghe, accumulazione, riproduzione. Un seminario di Silvia Federici (Rome: Derive Approdi, no prelo).

[30] Mariarosa Dalla Costa and Monica Chilese, Nostra madre oceano: questioni e lotte del movimento dei pescatori (Rome: DeriveApprodi, Roma 2005).

[31] Silvia Federici, El patriarcado del salario: críticas feministas al marxismo,trans. María Aránzazu Catalán Altuna (Madrid: Traficantes de suenos, 2018)

[32] Eu tentei desenvolver os ensinamentos do Feminismo Marxista de Ruptura em um texto intitulado “‘Lo chiamano amore’: Note sulla gratuità del lavoro,” in Francesca Coin (ed.), Salari rubati (Verona: Ombre Corte, 2017).

Anna Curcio é uma intelectual militante independente que atua na área do marxismo autonomista.

3 comentários

  1. […] Anna Curcio é uma intelectual militante independente que atua na área do marxismo autonomista. Estuda conflitos e transformações no trabalho a partir das lentes de gênero e raça. Em 2020, organizou o livro Black Fire: Storia e teoria del proletariato nero negli Stati Uniti, e, em 2019, o livro Introduzione ai femminismi. Com Ceren Özselçuk, editou o volume 22, número 3 da revista Rethinking Marxism, um editorial sobre como (re)pensar o comunismo à luz dos conceitos e práticas políticas ligadas ao comum, à comunidade e à comuna. É autora dos livros La razza al lavoro (2012), Comune, comunità, comunismo (2011). É colaboradora da revista Viewpoint, faz parte do projeto Commonware e é membro do corpo editorial da revista Machina, um projeto militante e intelectual organizado juntamente com a editora italiana Derive Approdi. Um de seus textos foi traduzido para o português e publicado aqui. […]

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