mulheres e o direito à literatura – ciclo de debates

Mulheres e o direito à literatura

Se tentássemos então sintetizar as características da ficção das mulheres no atual momento, diríamos que ela é corajosa; é sincera; não se afasta do que as mulheres sentem. Não contém amargura. Não insiste em sua feminilidade. Porém, ao mesmo tempo, um livro de mulher não é escrito como seria o de um homem.
Mulheres e ficção, Virginia Woolf

Antonio Candido afirmou certa vez que “uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”. Negar o direito à literatura a qualquer um, segundo ele, seria mutilar a nossa humanidade. É seguindo esse espírito que iniciamos esse ciclo de debates. O intuito do evento é revisitar o tema proposto por Candido, tendo em vista que a literatura é necessária para que as mulheres possam construir suas próprias narrativas e reconhecer sua história nas demais, sem deixar de considerá-la enquanto uma construção na qual a mensagem é inseparável de sua organização.

A fruição de certa literatura, assim como sua produção, foi negada às classes, gêneros, sexualidades e raças subalternas, por isso, defender o direito à literatura é defender não só seu acesso por setores dela excluídos, mas também livres condições de produção àqueles a quem ela foi negada. No caso das mulheres, os obstáculos à educação formal, o encargo com a responsabilidades de reprodução social, a ausência de um quarto próprio, a dificuldade de conseguir independência econômica, ainda que relativa, foram apenas alguns dos empecilhos enfrentados nos últimos séculos. Essa situação material não teve consequências somente para as mulheres que queriam se tornar leitoras e escritoras, mas também para sua literatura enquanto construção. Em quais gêneros as mulheres tiveram mais oportunidades, mais liberdades? Quais lhe foram negados? Há uma literatura feminina? O que muda na literatura escrita por mulheres? Essas são algumas das questões que orientaram esse ciclo de debates.

Hoje enfrentamos um dos períodos mais violentos e bárbaros da história do Brasil. Estamos diante de um projeto de aniquilação de toda a cultura. A literatura, nesse momento, não é só algo ao qual reclamamos direitos, mas uma tarefa civilizatória que temos diante de nós.

Confira abaixo os dias e horários dos debates. As mesas serão transmitidas no nosso canal “Marxismo feminista” do YouTube e simultaneamente no canal do “Laboratório de Estudos de Teoria e Mudança Social (Labemus)”. Os links para cada mesa seguem abaixo:

Mulheres e o direito à literatura: Carolina Maria de Jesus
Quarta-feira, 01 de setembro às 19h
https://youtu.be/07TxYjxK92o

Amanda Crispim (doutora em Letras pela UEL, mestra em Estudos Literários pela UFMG e graduada em Letras pela UEL. É professora do curso de Letras da Universidade Pitágoras-UNOPAR e compõe o Conselho editorial Carolina Maria de Jesus, da editora Companhia das Letras. Desenvolve pesquisas em torno das escrevivências de mulheres negras, linhagem da qual faz parte).

Stephanie Borges (jornalista, tradutora e poeta. Seu livro de estreia Talvez precisemos de um nome para isso (2019) venceu o IV Prêmio Cepe Nacional de Literatura. É uma das autoras participantes da antologia ‘As 29 poetas hoje’, organizada por Heloisa Buarque de Hollanda. Traduziu prosa e poesia de autoras como bell hooks, Audre Lorde, Claudia Rankine, Alice Walker e Margaret Atwood. 

Mulheres e o direito à literatura: Helena Silvestre
Quarta-feira, 08 de setembro às 19h

https://youtu.be/At_TP80LTOc

Helena Silvestre. Autora do livro Notas sobre a fome, militante, editora da Revista Amazonas e educadora popular na Escola Feminista Abya Yala.

Mulheres e o direito à literatura: Elena Ferrante
Quarta-feira, 15 de setembro às 19h
https://youtu.be/7ohUmyDz1SI

Tatianne Santos Dantas (psicanalista e psicóloga. Mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutoranda em Estudos Literários pela Universidade Federal de Sergipe).

Helena Pillar Kessler (psicanalista, psicóloga, doutoranda em Psicologia Social e Institucional na UFRGS, mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura pela UFRGS).

Mulheres e o direito à literatura: Monique Wittig
Quarta-feira, 22 de setembro às 19h
https://youtu.be/Dp307gBcLVc

Adriana Azevedo (doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio (2016). É professora de Teoria Literária da UFRJ. Está à frente do projeto de comunicação teórica digital “Escuta Feminista”, atualmente disponível nas plataformas de podcast. É idealizadora e editora na Filipa Edições, editora independente que tem como enfoque a publicação de obras de autoras mulheres e minorias raciais e sexuais. É tradutora do livro Eu odeio os homens – Um desabafo (2021), best-seller da escritora feminista francesa Pauline Harmange, recentemente publicado pela editora Rosa dos Tempos.

Júlia Braga Neves (professora de literatura em língua inglesa no Departamento de Letras Anglo-Germânicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e é doutora em Literatura e Cultura Inglesas pela Universidade Humboldt de Berlim e pelo King’s College Londres).

Mulheres e o direito à literatura: Svetlana Aleksiévitch
Quarta-feira, 29 de setembro às 19h
https://youtu.be/KYPFHyM2F4U

Giuliana Almeida (formada em história, mestre e doutora em Literatura e Cultura Russa pela FFLCH USP. É autora do livro Pelo prisma biográfico: Joseph Frank e Dostoiévski).

Cecília Rosas (tradutora, mestre e doutora em Literatura e Cultura Russa pela FFLCH USP. Traduziu recentemente para o português A Menininha do Hotel Metropol de Liudmila Petruchévskaia, e Meninos de Zinco, de Svetlana Aleksiévitch, ambos lançados pela Companhia das Letras, entre outros títulos. Participa do coletivo de tradução Sycorax.)

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