feminismo e luta de classes

imagem: flickr

No dia 30 de junho foi ao ar a nossa primeira live, com a profa. Maria Lygia Quartim de Moraes. Quartim de Moraes abriria o evento presencial – que não ocorreu devido à pandemia. Então nada mais justo do que ela abrir também o ciclo de palestras online.
Em sua fala, a professora argumentou que é extremamente necessário juntar feminismo e luta de classes pois as dinâmicas de classe são (e sempre foram!) complexas por serem entrecortadas por gênero e outras clivagens.

“O conceito da luta de classe tem que ser ampliado pois temos lutas dentro das classes sociais. Hoje, por exemplo, tem quem quer por fogo na mata, mas tem também que é do agronegócio e não quer ser prejudicado pois não vai conseguir vender sua carne para fora”

Mas não é apenas entre as classes dominantes que essas dinâmicas acontecem, e é por isso que lutas feministas, anti-racistas, decoloniais e outras são importantes. Segundo a  professora, elas chamam a atenção para essas dinâmicas de opressão que interagem com, bem como surgem das contradições de classe. O feminismo, em suas formações históricas em diversas partes do mundo, sempre chamou a atenção para isso e para o fato de que precisamos entender a luta de classes em sua complexidade.

Enquanto o marxismo nos ensinou que a luta de classes é o motor da história, uma das primeiras contribuições do feminismo para a esquerda, segundo Quartim de Moraes, foi refletir sobre o trabalho doméstico como trabalho não pago. Além disso, movimentos de mulheres trabalhadoras na Rússia, na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil, foram centrais no desencadeamento das primeiras greves gerais que tiveram impactos profundos na mobilização proletária pelo mundo.

O feminismo também contribuiu tanto por sua dimensão teórica quanto por sua prática política. A palavra de ordem feminista, por exemplo, de que o pessoal é político mostra que a revolução socialista por si só não resolve o problema do machismo, diz Quartim de Moraes.

A professora concluiu sua fala de forma efusiva pois ela percebe no Brasil uma retomada de um feminismo crítico nas novas gerações ativistas e militantes. Enquanto as pautas políticas de sua geração desapareceram ou foram burocratizadas com a redemocratização brasileira, as feministas hoje estão trazendo de volta a possibilidade de fazer uma crítica ao capital que seja ampla e que agregue diversas lutas específicas com horizontes comuns.

Se você ainda não assistiu, vale a pena! Clique aqui e boa live.

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